Pós-Graduação inova para atender demanda das atividades remotas no primeiro semestre do ano

Mais de 1.700 disciplinas foram oferecidas on-line, 2.500 dissertações e teses foram defendidas nesse período e foram realizados 2.198 exames de qualificação

Banca da aluna Maria Gabriela Ferreira de Noronha, no Mestrado Profissional em Empreendedorismo da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade (FEA) – Foto: Divulgação

Migrar aulas, exames de qualificação, defesas de dissertações de Mestrado e teses de Doutorado para a modalidade a distância foi o principal desafio da Pró-Reitoria de Pós-Graduação neste primeiro semestre de 2020. Com as atividades presenciais suspensas na Universidade desde o dia 17 de março, por conta da pandemia da covid-19, o processo teve de ser ágil e eficiente para atender aos alunos dos mais de 260 programas de Pós-Graduação da Universidade.

Quase 1.700 disciplinas foram oferecidas e tiveram 17,5 mil alunos regulares matriculados, dos quais  4.720 foram ingressantes nos programas em 2020.

Duas plataformas de interação com os estudantes foram utilizadas neste período: o Google Meet, para aulas ao vivo e defesas, e a plataforma e-Disciplinas, para aulas que envolviam interação com os alunos, como fóruns, além de aulas gravadas. Processos seletivos também utilizaram plataformas digitais para serem realizados. Tais ferramentas já estavam disponibilizadas pela Superintendência de Tecnologia da Informação (STI) mesmo antes da pandemia.

De acordo com levantamento feito pela Pró-Reitoria através de formulários dirigidos aos alunos e orientadores, 91,6% dos alunos consideraram as estratégias adotadas pelos programas durante a pandemia excelentes, muito boas ou boas. Entre os docentes, esse índice foi de 95,4%.

Em relação ao aprendizado, 12% dos alunos responderam que o rendimento foi maior em comparação às atividades presenciais, 53% consideraram que foi o mesmo e 35% avaliaram que foi menor.

Carlos Gilberto Carlotti Júnior – Foto: Marcos Santos/USP Imagens

“Para agilizar o processo, foi permitida a migração das disciplinas para não presenciais com avaliação da Comissão Coordenadora do Programa e da Comissão de Pós-Graduação da Unidade, sem a necessidade de autorização dos órgãos centrais da Pró-Reitoria. Este processo permitiu que mais de 1.700 disciplinas fossem ofertadas e, para maior liberdade dos ministrantes, foi estendido em 120 dias o período para informação sobre a presença e os conceitos obtidos pelos estudantes, o que permitiu que os ministrantes pudessem adaptar a forma de planejar as atividades previstas”, explica o pró-reitor de Pós-Graduação, Carlos Gilberto Carlotti Júnior.

Segundo ele, “a percepção dos alunos e ministrantes foi satisfatória: mais de 65% consideraram que não houve prejuízo nas atividades. Esses dados nos estimulam a fortalecer a preparação didático-pedagógica dos nossos professores para o segundo semestre, pois teremos mais tempo para qualificar o ensino de nossas disciplinas de pós-graduação”.

Bancas on-line

Uma das inovações implementadas pela Pró-Reitoria nesse período foi a possibilidade de que tanto os alunos quanto os examinadores pudessem participar das bancas de forma remota e a defesa das dissertações e das teses fossem mantidas públicas nas diferentes plataformas utilizadas.

Os números são expressivos: de março a junho, foram defendidas 1.508 dissertações de Mestrado, 982 teses de Doutorado e 153 de Doutorado Direto. Em relação aos exames de qualificação, foram 1.203 de Mestrado, 854 de Doutorado e 141 de Doutorado Direto.

“Os resultados mostram que a qualidade pode ser mantida na modalidade remota, com os alunos e membros das comissões examinadoras avaliando de forma positiva. Entendo que diante da situação de distanciamento social recomendada, esta foi uma solução que viabilizou que os alunos pudessem terminar suas pós-graduações e continuar suas atividades profissionais”, avalia Carlotti.

O pró-reitor considera, no entanto, que as atividades de pesquisa realizadas pelos alunos de pós-graduação nos laboratórios tiveram prejuízos significativos. “Mesmo os laboratórios que mantiveram suas atividades presenciais, mudaram seus experimentos para buscar soluções para os problemas relacionados à covid 19. A solução que encontramos foi a prorrogação de todos os prazos dos estudantes por mais seis meses, entendendo que, durante este período, suas atividades de pesquisa não foram realizadas.  Mesmo assim, as agências de fomento prorrogaram as bolsas por mais apenas dois a três meses, período que considero insuficiente para nossos alunos”, afirma.

Para o segundo semestre de 2020, de acordo com documento divulgado pelo grupo de trabalho da Reitoria responsável pelo plano de readequação para o ano acadêmico de 2020, o retorno das atividades presenciais dos laboratórios de pesquisa poderá ser feito a partir da segunda quinzena do mês de agosto, de forma escalonada.

Incremento das atividades

Com a previsão de que as aulas continuem de forma remota na Universidade no segundo semestre, a expectativa da Pró-Reitoria é aprimorar a qualidade do ensino on-line e incrementar a participação não presencial de membros de comissões julgadoras, o que deve ocorrer mesmo após a normalização das atividades.

“Em relação às disciplinas, percebo que algumas atividades remotas serão mantidas, como a participação de professores de outras universidades, inclusive do exterior, em nossas atividades. Provavelmente iremos discutir nos próximos meses um modelo presencial, que é a nossa vocação, mas com a inserção de atividades não presenciais que qualifiquem ainda mais a aprendizagem”, conclui Carlotti.

As atividades da pós-graduação serão retomadas no próximo dia 4 de agosto com a realização de um encontro em que serão discutidas as experiências vivenciadas no âmbito da Pró-Reitoria e das unidades neste primeiro semestre do ano.

Por Adriana Cruz – Jornal da USP

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