Pró-reitor explica como este processo, que se inicia ainda neste ano, fortalece a qualidade da graduação e amplia oportunidades para os estudantes

O Exame Nacional de Desempenho dos Estudantes (Enade), aplicado pelo Ministério da Educação, tem o objetivo de medir o rendimento dos estudantes de graduação e seus resultados compõem os indicadores de qualidade dos cursos e das instituições de ensino superior no Brasil. Até este ano, a USP não participava do exame. No entanto, em sessão realizada no dia 24 de junho, o Conselho Universitário aprovou a adesão já a partir de 2025. Para explicar os motivos e os impactos dessa decisão, esta edição do boletim Por Dentro da USP conversa com o pró-reitor de Graduação da Universidade, Aluisio Segurado.

O pró-reitor de Graduação da USP, Aluisio Segurado – Foto: Marcos Santos/USP Imagens
“Na pós-graduação, este tipo de participação já é muito tradicional na nossa universidade. Desde a criação do sistema de avaliação da pós-graduação pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), a USP sempre teve um papel muito destacado — eu diria até protagonista — e de muito aprendizado na troca de experiências com outras instituições. Então, quando assumimos a Pró-Reitoria de Graduação, em 2022, começamos a trabalhar a possibilidade de buscar um consenso para levar a USP a aderir também ao Sinaes, que é o Sistema Nacional de Avaliação da Educação Superior, e que tem na prova do Enade um dos seus componentes”, explica.
Para ele, um dos grandes desafios foi a elaboração de um entendimento coletivo a respeito do tema: “Este movimento envolveu ampla discussão com a comunidade universitária. A construção de consensos em uma instituição muito grande, como é a nossa, é um processo que exige muito diálogo com professores, estudantes, entidades estudantis e dirigentes. Então trabalhamos intensamente, fazendo mais de 20 reuniões em todos os campi da USP, na capital e no interior, tirando dúvidas e esclarecendo os estudantes e os professores sobre as vantagens da adesão”.
Segurado destaca que, ao longo das deliberações, dirigentes do próprio Ministério da Educação estiveram na USP apresentando transformações pelas quais o Enade tem passado e que, entre elas, há duas mudanças importantes, que ampliam a utilidade da nota do Enade para os estudantes, acrescentando ainda mais vantagens à participação: “Este ano está sendo introduzida uma modificação que torna o Enade dos cursos de medicina e dos cursos de licenciatura uma oportunidade para o aluno utilizar a nota em concursos públicos. No caso dos egressos do curso de medicina, a nota poderá ser usada no Exame Nacional de Residência Médica (Enare), uma prova nacional à qual já se filiaram muitas universidades. Isso amplia o leque de oportunidades para o estudante se inserir, logo após a graduação, em um programa que lhe conferirá a especialidade médica. No caso das licenciaturas foi criado algo semelhante, denominado Prova Nacional Docente (PND), um exame nacional de concurso público para ingresso no magistério. Municípios e Estados podem aderir a essa prova única, utilizando sua classificação como forma de seleção para professores concursados”, explica.
“Nós, aqui na Universidade de São Paulo, sempre primamos pela promoção da qualidade e da excelência. Se, de um lado, temos mecanismos internos de avaliação, era fundamental agregar a esse processo uma avaliação externa, conduzida por pares, que nos permitisse esse feedback da sociedade sobre a formação que realizamos. Além disso, a adesão ao Sinaes nos permitirá obter dados de avaliação institucional em comparação com as outras instituições do País, algo que tem um valor acadêmico enorme, por nos dar um olhar transversal sobre nossas fortalezas e também sobre as oportunidades de aprimoramento”, avalia.
Por Michel Sitnik – Jornal da USP




