Desafios da Pró-Reitoria de Pesquisa e Inovação miram aproximação entre ciência e demandas sociais

Em entrevista para o boletim “Por Dentro da USP”, a pró-reitora Maria Helena Palucci Marziale fala sobre os caminhos da gestão e detalha estratégias para fomentar o empreendedorismo e a ciência translacional

O aprimoramento da infraestrutura de laboratórios, a desburocratização de processos e a transposição do conhecimento acadêmico para o cotidiano da população estão entre as diretrizes da atual gestão da Pró-Reitoria de Pesquisa e Inovação (PRPI) da USP. Os temas foram detalhados na nova edição do boletim Por Dentro da USP, veiculado pela Rádio USP, que dá sequência à série de entrevistas com os dirigentes responsáveis pelas áreas estratégicas da Universidade.

Durante o programa, foram abordados os principais obstáculos administrativos e operacionais do setor, além do planejamento para fortalecer o protagonismo social da ciência produzida na instituição. Para detalhar o panorama atual, a pró-reitora de Pesquisa e Inovação, Maria Helena Palucci Marziale, destacou que um dos principais focos da gestão é atuar na governança e na capilaridade institucional. A proposta é evitar que os pesquisadores fiquem isolados em seus laboratórios, promovendo um diálogo mais direto com quem formula políticas públicas. Além disso, há uma preocupação latente com a excelência operacional e a soberania tecnológica, o que exige a manutenção atualizada da infraestrutura física frente a um cenário de rápida obsolescência dos equipamentos.

Maria Helena Palucci Marziale – Foto: Cecilia Bastos/USP Imagens

“O desafio é romper a fragmentação da comunicação interna e externa, aproximando a produção científica dos centros de decisão política e da sociedade civil. A gestão implementará um cronograma de frequentes reuniões com atores de pesquisa e inovação e também com agentes externos. A meta é ampliar a interlocução e a atuação em frentes parlamentares e Secretarias de Estado, garantindo que a autoridade científica da USP colabore e participe da elaboração de políticas públicas de alto impacto social”, destaca ela.

Outro ponto central da entrevista foi a consolidação de uma cultura de empreendedorismo dentro da Universidade. A gestão avalia que o estímulo à criação de negócios e soluções inovadoras é uma ferramenta para viabilizar o avanço do conhecimento científico. Para que isso ocorra, o planejamento prevê medidas de desburocratização e de suporte técnico, como o uso de inteligência artificial e ciência de dados nos escritórios de apoio à pesquisa. “O empreendedorismo não é um fim em si mesmo, mas um mecanismo de translação do conhecimento, garantindo que a autoridade científica da USP se traduza em soberania tecnológica e soluções para demandas complexas da sociedade. Para fortalecer essa cultura, estabelecemos estratégias como desburocratizar o processo, criando um fluxo administrativo mais ágil para o pesquisador empreendedor, e implementar programas de capacitação e mentoria.”

A importância da pesquisa com protagonismo social, um conceito que ganha tração na academia por meio da chamada “ciência translacional”, também foi destacado pela dirigente. O objetivo, segundo ela, é garantir que os anos de estudo e financiamento injetados em uma pesquisa básica não se encerrem na publicação de um artigo, mas encontrem vias práticas de aplicação: “A complexidade dos desafios contemporâneos exige uma transição da ciência puramente teórica para a ciência translacional. E o que seria a ciência translacional? É a ponte que transforma o saber do laboratório no fazer do dia a dia. É o esforço de pegar uma descoberta científica fundamental, aquela que é feita na bancada, nos laboratórios, e criar o caminho para que ela chegue ao benefício do cidadão”.

Por Michel Sitnik – Jornal da USP

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