É a vez de voar mais alto: IQSC recebe calouros de 2026 com semana de acolhimento e integração

Programação reuniu atividades acadêmicas, culturais e de convivência para apresentar o Instituto, fortalecer vínculos e marcar o início da trajetória universitária dos novos estudantes

Instituto de Química de São Carlos (IQSC) da USP foi ponto de chegada de um novo grupo de “migrantes” na semana de 23 a 27 de fevereiro. Vindos de diferentes cidades, e até de outros estados, dezenas de estudantes desembarcaram com histórias únicas na bagagem. Em comum, esses novos habitantes tinham brilho nos olhos, a expectativa diante do desconhecido e uma mochila carregada de sonhos. Organizada por professores, funcionários e estudantes, a Semana de Recepção de Calouros, cujo mote, criado pela USP, foi “É a sua vez de voar mais alto”, promoveu uma série de eventos que tornaram este um momento único na vida desses estudantes. Além do tradicional apadrinhamento dos calouros pelos veteranos, os estudantes puderam participar de uma gincana, acompanharam uma aula Magna, conheceram os espaços e laboratórios do Instituto, além da trajetória de alguns egressos, podendo vislumbrar os caminhos que a graduação em Química oferece.

Para a professora Fernanda Souza, presidente da Comissão de Recepção 2026 do IQSC, a proposta foi ampliar o horizonte dos ingressantes para além da sala de aula. Segundo ela, as atividades foram pensadas para que os estudantes compreendessem que a formação universitária não se limita às disciplinas e às possibilidades de carreira profissional. “Queríamos mostrar que a universidade é um espaço de crescimento integral. Muitos chegam do ensino médio focados apenas nas matérias que precisam cumprir, mas a universidade é muito mais do que isso. É um espaço de formação humana, de construção de cidadania e de ampliação de perspectivas”, destaca.

“Queremos que eles sintam, desde o primeiro dia, que não estão sozinhos e que agora fazem parte da comunidade IQSC”, afirma Fernanda Souza, presidente da Comissão de Recepção 2026 do IQSC | Foto: Henrique Fontes/Fontes Comunicação Científica

De acordo com a docente, esses momentos ajudam a situar os calouros dentro da instituição e também da cidade, oferecendo um momento de acolhimento. As boas-vindas também se estenderam às famílias dos estudantes, que, ao retornarem para casa, muitas vezes enfrentam a experiência simbólica do “ninho vazio”. Por isso, no primeiro dia, os pais e responsáveis também foram acolhidos pela equipe do Instituto, em um momento dedicado ao diálogo e à orientação. “Tivemos um cuidado especial em receber as famílias, conversar com elas e apresentar os caminhos de apoio que a Universidade oferece. Isso foi particularmente importante para os pais de estudantes com alguma neurodivergência ou condição específica, para que se sintam seguros e bem informados sobre toda a rede de suporte disponível, tanto de inclusão, quanto de auxílio médico, financeiro e de moradia”, explica a presidente da Comissão de Recepção 2026 do IQSC.

Diretor e Comissão Organizadora com os calouros. Foto: Sandra Zambon/IQSC

O diretor do IQSC, professor Hamilton Varela, também esteve presente na recepção, destacando como o Instituto se dedica a oferecer um ambiente acadêmico estimulante e comprometido com a formação de excelência. Por sua vez, o presidente da Comissão de Graduação, professor Júlio Cesar Borges, comemorou a chegada da nova turma de estudantes, reafirmando o papel do Instituto como espaço de aprendizado, pesquisa, inovação e transformação social.

Liz Masalskas Bessa, Maria Júlia dos Santos Esteves e João Novais de Araújo compartilham o orgulho de iniciar a graduação no IQSC e o desejo de construir, ali, uma trajetória de crescimento acadêmico e pessoal | Fotos: Henrique Fontes/Fontes Comunicação Científica

Quando o sonho vira conquista

Apaixonado pela Química desde cedo e incentivado pela avó, técnica da área, o estudante Victor Valente Suzano, vindo da capital paulista, aprofundou seus estudos ainda no Ensino Médio, participando de competições acadêmicas. Além de integrar a Olimpíada Brasileira de Química, conquistou a medalha de bronze, em 2024, na Olimpíada de Química do Estado de São Paulo.

Agora, ao ver realizado o sonho de cursar Química na melhor universidade da América Latina, Victor não esconde a empolgação com o início dessa nova etapa. “Estou muito contente. Os professores demonstram ser extremamente capacitados e o Instituto é muito bem equipado. É exatamente o ambiente que eu sempre procurei. Tenho certeza de que aqui vou encontrar tudo o que preciso para me desenvolver”, afirma o estudante.

A caloura Liz Masalskas Bessa, de 18 anos, de Araraquara, conta que a recepção começou de forma calorosa antes mesmo do início oficial das atividades, quando veteranos já abordavam os ingressantes. “Foi realmente acolhedor. O pessoal é respeitoso, o clima é leve, tem brincadeira, mas sem exageros. Tem toda a tradição dos apelidos, se acontece alguma coisa divertida, o pessoal já inventa um na hora. Eu, por exemplo, ‘roubei’ um capacete da Civil e acabei virando ‘Capacete’”, ri.

Do Recife, João Novais de Araújo, de 17 anos,  não planejava se candidatar à USP, mas foi incentivado por seu professor de química do ensino médio, que viu seu potencial. “Ele disse que eu deveria tentar a melhor. Então, passar no IQSC é uma conquista gigantesca”, afirma.

João chegou a passar na USP de São Paulo primeiro, mas optou pelo IQSC depois de ser convocado na segunda chamada. “Acredito que a cidade é mais acolhedora e mais fácil de se viver”, comenta o estudante.

Já a estudante Maria Júlia, também de 17 anos e natural de São Carlos, sonhava, desde menina, com a área que agora pretende se dedicar na graduação: cosmetologia. Desde os 13 anos, ela ajudava a tia no salão de beleza especializado em cabelos iguais aos seus: cacheados. “Trabalhando lá, percebi que faltam produtos especializados neste tipo de cabelo e meu sonho é poder desenvolver novos tratamentos”, relata.

A estudante conta que ficou aliviada e feliz quando soube do resultado pela moça do cursinho. “Eu achei que não passaria, então quando ela me ligou, eu chorei de alegria porque sempre sonhei em estar aqui, mas eu nunca imaginei estar de fato. É uma sensação indescritível, uma realização”, define.

Durante a Semana de Recepção, os calouros conheceram os laboratórios, onde foram apresentadas algumas das pesquisas de impacto ali desenvolvidas | Foto: Henrique Fontes/Fontes Comunicação Científica

Matéria: Gabriele Maciel, da Fontes Comunicação Científica

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