Funcionários do ICMC participam de curso para aprimorar gestão pública com inteligência artificial

Coordenada pela professora Solange Rezende, iniciativa abordou fundamentos da área, apresentou ferramentas atuais e como usá-las de forma ética e prática no serviço público

Equipe e participantes do curso que levou a inteligência artificial para o dia a dia da gestão no ICMC (Crédito da imagem: Henrique Fontes/FCC)

 

Concentrando um dos maiores núcleos de pesquisa em inteligência artificial (IA) do país, com produção científica na fronteira do conhecimento, o Instituto de Ciências Matemáticas e de Computação (ICMC) da USP, em São Carlos, ofereceu a seus funcionários técnico-administrativos o curso Inteligência Artificial para a Gestão Pública.  Coordenado pela professora Solange Rezende, o curso reuniu os 25 chefes de setores e apresentou uma visão atual, crítica e aplicada da IA, para explorar seu uso estratégico no contexto institucional. O critério de capacitar os gestores foi a disseminação que eles podem promover junto aos demais colegas e a maior possibilidade de implementar o uso do IA nas rotinas, informou Paulo Celestini, da SubComissão de Treinamento e Desenvolvimento  

Ao longo de quatro encontros, com a primeira aula no dia 19 março, os participantes aprenderam a utilizar ferramentas modernas baseadas em modelos de linguagem (LLMs), desenvolver prompts mais eficazes e compreender riscos, limitações e aspectos éticos envolvidos no uso da tecnologia. De acordo com Solange, ao capacitar os funcionários, a iniciativa buscou suprir uma lacuna importante dentro da instituição: “A maioria das pessoas ainda associa a IA a algo muito recente, mas ela é fruto de décadas de desenvolvimento científico e tecnológico. O Brasil, inclusive, tem uma trajetória relevante nessa área, com nomes como a professora Maria Carolina Monard, uma das precursoras da IA no país e a primeira mulher titular do ICMC”.

 

A programação do curso contou com a apresentação da linha do tempo da IA, das ferramentas disponíveis e da discussão sobre uso ético na gestão pública (Crédito da imagem: Henrique Fontes/FCC)

 

Como o curso foi formatado – A programação do curso foi construída em conjunto com os mestrandos do ICMC Lucas Ferraz Sampaio e William Cardoso, orientandos da professora Solange e com o funcionário Giovano de Oliveira Cardozo. Eles participaram ativamente da estruturação das aulas e da elaboração dos materiais, conectando fundamentos históricos às aplicações atuais. Segundo William, cada etapa do curso foi cuidadosamente pensada a partir do perfil dos funcionários do ICMC. “A gente precisou entender a rotina, as dores do dia a dia e adaptar o conteúdo para que fizesse sentido para eles”, explica.

Dividido em quatro encontros, o curso começou com uma abordagem introdutória, voltada a situar os participantes: o que é inteligência artificial, como ela se desenvolveu ao longo das décadas e de que forma pode ser aplicada no contexto do trabalho. Em seguida, avançou para uma etapa prática, com atividades realizadas em notebooks, nas quais os servidores puderam experimentar ferramentas e testar usos concretos da tecnologia.

Na atividade final, cada participante foi desafiado a olhar para o próprio setor, identificar um problema e propor uma solução com o apoio da IA, apresentando os resultados ao grupo. “Tivemos várias apresentações, e foi muito marcante perceber que vários funcionários que nunca tinham usado IA, começaram a descobrir que ela pode apoiar tarefas do dia a dia. A tecnologia ajuda a dar o primeiro passo, mas o mais importante é o refinamento feito pela própria pessoa”, destaca Solange. O  curso também abordou riscos, responsabilidades e ética no uso da IA, reforçando a importância de uma aplicação consciente, crítica e alinhada às demandas do setor público.

Para Lucas, o retorno dos participantes reforça o alcance da proposta. “Os funcionários saíram com uma visão muito mais ampliada do que é, de fato, a inteligência artificial e de como ela pode agregar valor ao trabalho em cada setor”, revela.

 

O último dia do curso contou com a apresentação dos conhecimentos adquiridos quando os funcionários mostraram tarefas feitas com a ajuda de ferramentas de IA (Crédito da imagem: Henrique Fontes/FCC)

 

Feedback positivo – O servidor Erick Previato, do Setor de Apoio Multimeios, conta que decidiu participar do curso por reconhecer a relevância do tema no contexto atual e seu potencial de impacto no trabalho. “É um assunto muito presente hoje, e a IA tem ajudado a melhorar cada vez mais os nossos serviços”, afirma.

Já Paulo Celestini, integrante do Gabinete de Planejamento e Gestão e da SubComissão de Treinamento e Desenvolvimento, conta que também já utilizava ferramentas de IA, mas buscou o curso para aprofundar sua compreensão sobre os fundamentos da tecnologia. “A gente já percebe a potência da IA como uma ferramenta capaz de realizar tarefas e otimizar muitos processos rotineiros. Com o curso, aprendi que o segredo está em construir bons comandos, os chamados prompts. É isso que faz a diferença na qualidade dos resultados”.

Já Monique da Conceição, do Serviço de Pós-Graduação do ICMC, relata que o curso ampliou sua percepção sobre as possibilidades de uso da IA. “Eu não tinha pensado nisso como uma ferramenta que poderia facilitar o trabalho. Foi muito importante mesmo, porque deu muitas ideias de como aplicar no dia a dia”, conta. Segundo ela, uma das aplicações mais úteis envolve a elaboração e tradução de documentos institucionais. “A gente trabalha muito com editais, ofícios e portarias. Antes, por exemplo, era sempre um desafio encontrar alguém para traduzir os textos para inglês e espanhol. Agora, dá para usar a IA para fazer uma primeira versão e, depois, alguém pode revisar. Isso agiliza muito o processo”, explica.

A professora Solange destaca que a expectativa é que os aprendizados do curso ultrapassem a sala de aula e se consolidem no dia a dia institucional, por meio da troca entre os próprios funcionários. “O que eu espero é que a gente crie uma comunidade de troca porque isso valoriza as pessoas, promove o reconhecimento e gera um ganho que vai além do conhecimento técnico. Quando isso acontece, a instituição cresce junto”, conclui.

Texto: Gabriele Maciel, da Fontes Comunicação Científica
Sob supervisão de Denise Casatti, da Assessoria de Comunicação do ICMC/USP

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