Palestra discute a mineração no Brasil e seus desdobramentos a partir do olhar da artista Mabe Bethônico

Venha refletir sobre como a exploração mineral contribui com processos de construção e apagamento da memória, e como a arte e a educação podem ser ferramentas críticas diante desse cenário

No dia 25 de agosto, às 16h, acontece o próximo encontro do Ciclo ACT>. Com o tema Interações Geológicas, a palestra será proferida pela artista Mabe Bethônico. O evento, localizado na Sala de Projetos do IEA, é gratuito e aberto a todos, sem necessidade prévia de inscrição. É possível também participar online pelo Google Meet.

O encontro integra o Ciclo ACT>, série de palestras mensais organizada pelo Grupo de Pesquisa Arte Ciência Tecnologia (ACT>), vinculado ao Instituto de Estudos Avançados Polo São Carlos (IEA-USP). Em 2026 o foco do ciclo está nos impactos ambientais, econômicos e sociais da intensificação do neoextrativismo na América Latina.

Sobre a palestra

Na palestra Interações Geológicas, a artista Mabe Bethônico abordará seu trabalho, que em grande parte se refere à história da mineração no Brasil e a seus desdobramentos culturais, sociais e ambientais. A partir de arquivos e materiais de campo, ela discutirá como a exploração mineral se articula com processos de construção e apagamento da memória, e como a arte e a educação podem ser tomadas como ferramentas críticas diante desse cenário.

Tomando como referência projetos como Museu dos Assuntos Públicos e Elite Mineral, a pesquisadora apresentará processos de trabalho que tensionam narrativas oficiais sobre a mineração, propondo outras formas de conhecimento sobre o território e suas populações. No trabalho Elite Mineral, a artista investiga as relações entre o setor mineral e a ditadura empresarial-militar e evidencia acervos e materiais didáticos, construindo outras narrativas sobre o território e a extração mineral em Minas Gerais.

Sobre a palestrante

Mabe Bethônico é artista e professora. Seu trabalho está estreitamente relacionado às indústrias extrativas, particularmente à mineração, e a suas ressonâncias. Minerais, trabalhadores e paisagens escavadas que produzem tensões sociais aparecem recorrentemente em suas obras. Essas questões estão enraizadas no estado de Minas Gerais, onde uma indústria onipresente, que estrategicamente permanece opaca, continua a moldar tanto o território quanto as formas de percebê-lo. Os arquivos constituem um recurso fundamental em sua prática, funcionando simultaneamente como matéria, método e forma de revelar camadas de implicações e silêncios.

Seu trabalho assume a forma de instalações que combinam desenho, fotografia, vídeo, texto e publicações, além de palestras performativas que articulam processos de investigação. Atualmente é professora na ENSP Arles e na HEAD – Genève. Entre 2001 e 2019, lecionou na Escola de Belas Artes da Universidade Federal de Minas Gerais, e entre 2018 e 2021 foi pesquisadora convidada na ESAAA (École Supérieure d’Art Annecy Alps), no âmbito do projeto “Effondrement des Alpes”, financiado pela União Europeia em parceria franco-suíça. Atualmente participa da Manifesta 16, a bienal nômade da União Europeia. Participou das 27ª e 28ª Bienais de São Paulo e da 17ª Bienal de Arquitetura de Veneza, com exposições no MAM São Paulo, no Museu de Antioquia (Medellín), no Kunstverein München, no Musée d’Art Moderne de Lyon, entre outras instituições.

Ciclo ACT> Interações Geológicas

Data: 25 de agosto de 2026, às 16h

Local: Sala de Projetos do IEA-USP Polo São Carlos (Av. Dr. Carlos Botelho, 1465)

Para assistir online, clique aqui.

Informações: www.sc.iea.usp.br

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