Nina Ranieri diz que o prêmio está em constante crescimento e antecipa as novidades desta edição, como as relacionadas ao uso da IA

O Jabuti Acadêmico é importante porque mobiliza editoras, autores, acadêmicos, pesquisadores e especialistas – Foto: Divulgação/Instagram
As inscrições para o Prêmio Jabuti Acadêmico de 2026, promovido pela Câmara Brasileira do Livro (CBL), estão abertas e seguem até 19 de março. A premiação foi criada em 2024 e valoriza obras de destaque na área acadêmica, científica, técnica ou profissional. Nina Ranieri, professora da Faculdade de Direito da USP e curadora do prêmio, explica a importância da premiação para a ciência brasileira.
“O Jabuti Acadêmico é importante porque mobiliza editoras, autores, acadêmicos, pesquisadores e especialistas, em torno da atividade de registrar o conhecimento em obras acadêmicas e fazê-lo avançar. Além de promover o interesse em torno da própria ciência, uma das características desse prêmio é levar esse conhecimento para o público de forma ampliada, buscando a notabilização.”
Novidades em relação a anos anteriores
Nina reforça que o Prêmio Jabuti Acadêmico está em constante crescimento e promete novidades. “A premiação vem se expandindo ao longo dos anos, assim como a quantidade de inscrições. Dentre as novidades desta edição, as questões relacionadas ao uso de inteligência artificial serão mais detalhadas e agora teremos a possibilidade de inscrição de obras coletivas com a participação de até 30% de autores de origem estrangeira.”

Nina Ranieri
“Há novidades, também, nas categorias da premiação, com a adição das categorias Infografia e Ilustração Científica. A categoria Livro Clássico, uma das mais consideradas pelo grande público, passará a exigir um mínimo de 15 anos desde a primeira edição. O vencedor será escolhido por consulta pública. Outra novidade é a adesão da Fapesp às entidades apoiadoras do prêmio, juntamente com a Academia Brasileira de Ciências e a Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência”, ressalta.
A professora explica como funciona a premiação nas diversas categorias já existentes. “O primeiro eixo é dedicado a 27 categorias que vão de Direito até a Zootecnia, por exemplo. O segundo eixo é de prêmios especiais, que inclui divulgação científica, tradução e ilustração. E, por fim, as homenagens acadêmicas, como, por exemplo, o Livro Acadêmico Clássico.”
A IA no mundo acadêmico
Em relação à inteligência artificial, a professora destaca dois objetivos: valorizar o trabalho autoral e garantir o uso ético da inteligência artificial. “Tendo em vista esses dois objetivos, o regulamento da premiação tem dois pilares básicos: o uso da IA é vedado para tarefas autorais. Para outras tarefas, o uso deve ser declarado. Medidas assim também são debatidas e usadas, por exemplo, pela Royal Society, da Inglaterra, e por grandes editoras científicas, como a Elsevier, Poundley ou Macmillan”, finaliza.
Por Jornal da USP




