Produção científica garante posição de destaque à USP em rankings internacionais

Edições de 2026 das classificações de Xangai e de Taiwan evidenciam o impacto e o alto volume de artigos acadêmicos da Universidade

Foto: Marcos Santos/USP Imagens

A USP manteve sua presença entre as melhores instituições de ensino superior do mundo nas edições de 2026 de dois importantes levantamentos globais: o Academic Ranking of World Universities (ARWU) e o NTU Performance Ranking of Scientific Papers for World Universities.

Divulgado neste sábado, 15 de agosto, o ARWU, também conhecido como Ranking de Xangai, posicionou a instituição como a primeira colocada no Brasil e manteve sua classificação no grupo das 150 melhores no cenário mundial. A classificação avalia mais de 2,5 mil universidades anualmente e baseia-se exclusivamente em indicadores objetivos de pesquisa. A metodologia considera seis critérios principais: o número de ex-alunos e de pesquisadores vencedores de Prêmios Nobel e Medalhas Fields; a quantidade de pesquisadores altamente citados; os artigos publicados nas revistas Nature e Science; as publicações indexadas nas bases Science Citation Index-Expanded (SCIE) e Social Science Citation Index (SSCI); e, por fim, o desempenho acadêmico per capita.

Nesta edição, a Universidade se destacou principalmente pelo alto volume de publicações indexadas (indicador PUB), figurando na 30ª posição global neste quesito, um desempenho situado no quartil superior em comparação a instituições de porte semelhante no mundo.

Fonte: Shanghai Ranking/Arte: Thiago Quadros

Excelência em publicações acadêmicas

No ranking elaborado pela Universidade Nacional de Taiwan (NTU), divulgado no dia 20 de julho, o foco também recai sobre a produção bibliográfica. A edição de 2026 colocou a USP na 55ª posição geral, uma posição acima da obtida em 2025. A metodologia prioriza três aspectos específicos: a excelência (com peso de 40%), o impacto (35%) e a produtividade das pesquisas (25%). O estudo analisa a frequência de citações e o número de artigos veiculados nos periódicos de maior prestígio científico, considerando tanto o ano corrente quanto o acumulado de 11 anos.

No recorte por áreas do conhecimento da avaliação taiwanesa, o grande destaque da instituição foi o campo das Ciências Agrárias, que conquistou a 14ª colocação global, apontando para um resultado que consolida a vocação científica e o impacto do trabalho desenvolvido pela Universidade na inovação e na sustentabilidade do setor agropecuário brasileiro.

Universidades brasileiras no NTU 2026

Universidade Posição Brasil Posição mundial
Universidade de São Paulo (USP) 1 55
Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) 2 358
Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) 3 382
Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) 4 435
Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) 5 453

Monitoramento e interesse público

Aluisio Augusto Cotrim Segurado – Foto: Cecília Bastos/USP Imagens

“O resultado das avaliações reforça a relevância da produção acadêmica, cujo conhecimento gerado se converte em ciência de melhor qualidade e na formulação de políticas públicas voltadas às necessidades da sociedade e do País. O desempenho da USP evidencia também a força de uma universidade que articula ensino, pesquisa e extensão, forma profissionais e participa de redes nacionais e internacionais de colaboração científica, produzindo conhecimento de impacto e respondendo aos desafios da sociedade contemporânea“, analisa o reitor Aluisio Augusto Cotrim Segurado.

Para ele, é fundamental ponderar o papel deste tipo de ranking na gestão universitária: “Devemos pontuar, entretanto, que os rankings são instrumentos importantes para acompanhar tendências e identificar oportunidades de aprimoramento, mas não traduzem, isoladamente, a complexidade de uma universidade pública. Para a USP, o reconhecimento internacional é consequência de sua missão de produzir e disseminar conhecimento de excelência, formar pessoas e colocar a ciência a serviço do desenvolvimento social, econômico, cultural e sustentável do Brasil”, considera Segurado.

“Para a USP, o reconhecimento internacional é consequência de sua missão de produzir e disseminar conhecimento de excelência, formar pessoas e colocar a ciência a serviço do desenvolvimento social, econômico, cultural e sustentável do Brasil”

A coordenadora do Escritório de Gestão de Indicadores de Desempenho Acadêmico (Egida), Renata Eloah Ferretti-Rebustini, avalia o contexto desses números e como as informações são utilizadas na gestão da Universidade:

Renata E. L. Ferretti-Rebustini – Foto: Arquivo pessoal

“Para compreender uma posição em um ranking é preciso olhar para além do resultado global e analisar os diferentes indicadores que o compõem. Nesta edição do ARWU, por exemplo, embora a USP esteja posicionada entre as 101-150 na classificação geral, ocupa uma posição de destaque no quesito Publicações, alcançando a 30ª posição, evidenciando uma das forças da Universidade, o que a colocação global isoladamente não permite visualizar. É a análise integrada dos indicadores de desempenho que permite identificar potências e oportunidades de aprimoramento da Universidade, sob a perspectiva dos parâmetros avaliados, contribuindo para o fortalecimento da governança universitária. A partir dessas evidências, é possível orientar estratégias para aperfeiçoar processos e contribuir para o cumprimento da missão institucional. Também é fundamental acompanhar o desempenho e esses indicadores ao longo do tempo, pois isso permite compreender tendências, antecipar movimentos e produzir evidências que apoiem o planejamento e a tomada de decisão. Esse é justamente um dos papéis do Egida: transformar dados e indicadores em informação estratégica para a Universidade”, explica.

Mais informações sobre a metodologia, os critérios e o histórico de resultados da instituição nesses levantamentos estão disponíveis no site do Egida, acessando https://egida.usp.br/arwu/ para os dados do ARWU e https://egida.usp.br/ntu/ para os números do ranking de Taiwan.

Texto: Michel Sitnik
Arte: Thiago Quadros

Jornal da USP

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