Publicação desenvolvida no Instituto de Arquitetura e Urbanismo da USP em São Carlos busca transformar diagnósticos e dados territoriais em instrumentos de planejamento climático municipal, com foco em planos locais viáveis, integradores e comprometidos com a redução de desigualdades
Plataforma que utiliza tecnologias de geoprocessamento e ciência cidadã para monitorar áreas verdes urbanas e promover ações voltadas à justiça climática e à redução de desigualdades socioespaciais, a UrbVerde lançou um guia para a realização de Planos Locais de Ação Climática (PLACs). Com o nome Do Mapa à Ação: Guia UrbVerde para Planos Locais de Ação Climática, a publicação foi desenvolvida no âmbito do projeto UrbVerde: Políticas Públicas para Qualificação Territorial Orientada à Adaptação Climática e Redução das Desigualdades, projeto desenvolvido no Instituto de Arquitetura e Urbanismo (IAU) da USP em São Carlos. O download é gratuito neste link.
O material responde a uma demanda concreta surgida ao longo do projeto: transformar diagnósticos e dados territoriais em instrumentos de planejamento climático municipal, com foco em planos locais exequíveis, integradores e comprometidos com a redução de desigualdades. O lançamento ocorreu durante o evento Fortalecimento das Políticas Climáticas no Grande ABC: Resultados do Projeto UrbVerde, no Consórcio Intermunicipal Grande ABC, em Santo André, que reuniu representantes municipais, equipe do projeto e parceiros institucionais para apresentar resultados e fortalecer a agenda climática regional. O novo guia é resultado de uma parceria entre o IAU, o Instituto Pólis, o Consórcio Intermunicipal Grande ABC e a Prefeitura de Diadema, com apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) e do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq).
Marcel Fantin, professor do IAU e coordenador do projeto UrbVerde – Foto: Divulgação/IAU
Na apresentação do guia é destacado seu caráter prático: o livro oferece um roteiro para apoiar municípios na elaboração de PLACs, orientando a leitura do território com base em dados, a definição de prioridades, a organização das etapas de trabalho, o envolvimento de diferentes secretarias e atores sociais, e a formulação de ações com metas e indicadores articuladas ao planejamento e ao orçamento público. O texto também reforça que não se trata de uma receita única, mas de uma referência adaptável às realidades locais.
“O Guia UrbVerde para Planos Locais de Ação Climática nasce de uma questão muito concreta: como transformar dados, diagnósticos e evidências territoriais em capacidade real de ação nos municípios”, afirma o professor Marcel Fantin, coordenador do UrbVerde e um dos organizadores do guia ao lado de Marcela Fernandes da Costa. “Mais do que um material técnico, ele foi pensado como um instrumento prático de apoio à gestão pública, capaz de ajudar equipes municipais a ler o território, definir prioridades, articular diferentes secretarias e construir ações climáticas viáveis, integradas e comprometidas com a redução das desigualdades”, completa.
Segundo Fantin, a parceria com o Consórcio Intermunicipal Grande ABC foi fundamental nesse processo, “porque trouxe a escala regional e a experiência concreta de articulação entre municípios diante de desafios que ultrapassam fronteiras administrativas”. Para o coordenador, a crise climática exige justamente esse tipo de cooperação: baseada em conhecimento técnico, diálogo institucional e construção coletiva de soluções. “O guia é, portanto, resultado desse esforço conjunto entre universidade, poder público e sociedade civil para fortalecer políticas locais de ação climática mais justas, consistentes e conectadas à realidade dos territórios”, conclui.

Reunião do projeto UrbVerde – Foto: Divulgação/UrbVerde

Telas da plataforma UrbVerde disponível on-line- Foto: Reprodução / urbverde.iau.usp.br


