Sistema para uso veterinário auxilia cirurgias neurológicas em animais

Inovação produzida por ex-alunos da Escola de Engenharia de São Carlos tem selo DNA USP e já está no mercado

Duas pessoas fazendo uma cirurgia e olhando para um computador em que aparece a parte do corpo operada

Um neuronavegador é um sistema que guia com precisão o cirurgião durante um procedimento – Foto: Divlgação/EESC

Uma startup criada no Laboratório Aeronáutico de Tecnologia da Escola de Engenharia de São Carlos (EESC) da USP desenvolveu um neuronavegador veterinário, que já é comercializado. O Orion One — nome dado ao dispositivo — é definido por Pedro Saletti, engenheiro mecatrônico formado pela Universidade, cofundador e CEO da Brazilian Medical Technologies (BMT) e um dos responsáveis pelo projeto, como um “GPS para cirurgia”.

A empresa detém a marca DNA USP, selo que registra as inovações produzidas por alunos e ex-alunos da instituição e é focada em equipamentos médicos para cirurgia. Foi criada no Laboratório Aeronáutico de Tecnologias da Escola de Engenharia de São Carlos da USP por Calvin Suzuki, Guilherme Soares, Pedro Malagutti e Pedro Saletti.

Antes do Orion, o grupo desenvolveu em uma iniciação científica a Yara, uma robô para o tratamento de epilepsia, em parceria com o Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto. “Para não ficarmos parados, conversamos com médicos e acabamos descobrindo a veterinária e que a parte de neurocirurgias estava crescendo”, conta Saletti. A maior motivação era unir o conhecimento tecnológico com a busca por segurança e precisão para a área.

Aplicação

Um neuronavegador é um sistema que guia com precisão o cirurgião durante um procedimento, explica o engenheiro mecatrônico. De acordo com dados nacionais, as neurocirurgias veterinárias mais comuns são as que envolvem o sistema nervoso central (encéfalo e medula espinhal), de origem infecciosa e inflamatória, além dos tumores. O Orion One utiliza como base exames de imagem, como tomografias e ressonâncias magnéticas. O primeiro passo para o especialista é importar o teste diagnóstico para o software da inovação. É possível planejar e simular a intervenção, fazer registros e ver a posição exata dos instrumentos durante a cirurgia.

“O neurocirurgião pode segmentar a imagem e pintar partes críticas”, exemplifica Pedro Saletti. A interface é compatível com os principais tomógrafos usados na atualidade e permite combinar diferentes análises de uma única vez, além de permitir o cadastro dos instrumentos e técnicas do veterinário. “Fazendo esse registro, o sistema consegue rastrear onde está o animal e mostrar ao profissional onde ele está dentro da tomografia ou da ressonância magnética”, afirma.

A BMT busca ampliar a cobertura do neuronavegador para outras partes do corpo dos animais. “Já vai descer para a coluna, depois para a artroplastia do quadril, que é a prótese de quadril. Vão entrando cada vez mais cirurgias”, conta. Entretanto, o uso do Orion One é possível apenas nos seres em que os exames citados sejam compatíveis: “O grande problema é que a ressonância limita. É muito difícil colocar um cavalo dentro do aparelho, por exemplo”. Assim, a inovação tem mais enfoque para o mercado de pequenos animais, como cachorros e gatos.

Comercialização

Segundo Pedro Saletti, o ramo de neuronavegadores era limitado ao campo humano. “Era muito caro mesmo. O que uma pessoa paga em uma cirurgia é diferente do que um tutor consegue pagar na área veterinária”, declara. De acordo com a Associação Brasileira de Neurologia Veterinária, a área apresenta tendências de crescimento no País, graças ao aumento da demanda e complexidade no tratamento. De acordo com o engenheiro, a área é “delicada e precisa de muita precisão” e, por esse motivo, foi a primeira abarcada pelo projeto.

A câmera — que faz o rastreamento — e o software usados na tecnologia foram desenvolvidos pela própria empresa, fatores que garantem viabilidade e um custo mais acessível na implantação e uso do Orion One. A inovação já é comercializada e a equipe da BMT busca atualizá-la e moldá-la conforme as necessidades do cliente. “A gente desenvolveu um plano de negócios que é viável e mais de dez clínicas no País usam o equipamento”, finaliza.

Por Isabella Lopes – Sob supervisão de Cinderela Caldeira

Jornal da USP

VEJA TAMBÉM ...