Egressa da USP São Carlos tem artigo premiado por cátedra da Organização de Estados Ibero-Americanos

Mestre e doutora pelo ICMC, Juliana Theodoro foi reconhecida por trabalho sobre Matemática Antirracista

 

Juliana é a primeira mulher a ocupar o cargo de diretora no Instituto de Matemática da UFAL (Cŕedito da imagem: Reprodução Facebook Juliana Theodoro de Lima)

 

Com um trabalho sobre matemática antirracista, a pesquisadora Juliana Theodoro de Lima, mestre e doutora pelo Instituto de Ciências Matemáticas e de Computação (ICMC) da USP, em São Carlos, conquistou um dos prêmios do 1º Concurso de Artigos Científicos da Cátedra Elena Piscopia, promovido pela Organização de Estados Ibero-Americanos para a Educação, a Ciência e a Cultura (OEI). Atualmente diretora do Instituto de Matemática da Universidade Federal de Alagoas (IM-UFAL), a pesquisadora foi reconhecida por um estudo que dialoga com o conceito de Transição Justa, ao articular dimensões sociais, ambientais e econômicas em prol de processos de desenvolvimento mais equitativos.

O artigo Educação e Transição Justa: caminhos para a equidade social em tempos de transformação – matemática antirracista e decolonial como ferramenta de reparação histórica e tecnológica garantiu à pesquisadora o segundo lugar no eixo Educação e Capacitação Profissional, uma das categorias da competição. O trabalho foi desenvolvido em parceria com a docente Cleonis Viater Figueira, da Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR), câmpus Pato Branco.

Segundo Juliana, a notícia da premiação foi uma espécie de ‘choque positivo’.“Sabíamos que o artigo era muito bom, pois foi feito com muito cuidado, carinho e esforço, mesmo com o tempo limitado diante das nossas atividades acadêmicas e, muitas vezes, também pessoais”, afirma. Ela conta que protagonizar essa conquista é uma experiência difícil de descrever, mas segue acompanhada de um profundo sentimento de gratidão.

A cátedra foca em três eixos principais: Direito, Regulação e Economia; Novas Tecnologias, Engenharias e Transformações Sociais e Educação e Capacitação Profissional (Crédito da imagem: Reprodução site OEI)

 

Sobre o trabalho – O antirracismo parte da ideia de não apenas reconhecer o racismo como estrutura social, mas atuar de forma ativa para enfrentá-lo e transformá-lo, inclusive nos espaços educacionais. Nesse contexto, segundo Juliana, o artigo se estrutura a partir de um ponto central: a construção de igualdade passa, necessariamente, pelo reconhecimento dos estudantes nos ambientes que ocupam. “Não há equidade de gênero, ou de  raça, sem que o aluno ou a aluna se enxergue naquele ambiente, entenda que ele também lhe pertence. Temos metodologias de ensino de Matemática incríveis, mas, ainda assim, a procura pela área segue, em sua maioria, o mesmo perfil: homem branco, elitista, cisgênero e eurocentrado”, explica.

Ao reconhecer a baixa representatividade de grupos socialmente minorizados na academia, a pesquisadora destaca o tema da decolonialidade como uma alternativa fundamental para uma produção científica mais igualitária e inclusiva: “Decolonizar a matemática, reconhecendo e devolvendo as contribuições africanas e indígenas da ciência aos seus povos de origem, é fazer com que ela contribua diretamente para a reparação histórica que buscamos e para a promoção da igualdade e da equidade de gênero e raça”.

A cátedra conquistada por Juliana leva o nome da filósofa veneziana Elena Piscopia, reconhecida como a primeira mulher a obter um diploma universitário na história. Realizada pela (OEI), em parceria com o Instituto Brasileiro de Ensino, Desenvolvimento e Pesquisa (IDP) e outras instituições, a iniciativa busca incentivar a produção de conhecimento crítico e interdisciplinar voltado a políticas públicas mais inclusivas e sustentáveis.

Do ICMC para as fronteiras da pesquisa e extensão – Egressa do ICMC, onde concluiu o mestrado (2010) e o doutorado (2014), com período de estágio de pesquisa  na University of British Columbia, no Canadá, Juliana Theodoro construiu uma trajetória acadêmica marcada pela articulação entre pesquisa e extensão. Atualmente professora e diretora Instituto de Matemática da UFAL, Juliana atua na gestão e coordenação de projetos, além de desenvolver iniciativas voltadas à participação de mulheres nas ciências exatas, à divulgação científica e às discussões sobre gênero, diversidade e inclusão. A docente também está à frente do Laboratório de Formação e Engajamento de Mulheres nas Exatas e Aplicações (Femea).

 

Em 2024, a pesquisadora foi uma das vencedoras do Prêmio Elas na Matemática, iniciativa da SBM, MCTI e IMPA (Crédito da imagem: Solange Marcon/SBM)

 

Texto: Raquel Sampaio, da Fontes Comunicação Científica

 

Mais informações
Confira todos os artigos ganhadores: encurtador.com.br/fWaQ
Veja o edital da premiação: edital-do-consurso-catedra-oei.pdf

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