Em março, iniciaram-se as aulas do PROFCOMP, mestrado profissional que irá auxiliar no ensino de computação nas escolas públicas

Turma de mestrandos do PROFCOMP com a professora Sarita Mazzini Bruschi, do ICMC. Foto: Marcos Vinícius Ribeiro Ferreira.
No primeiro semestre de 2026, o Instituto de Ciências Matemáticas e de Computação (ICMC) da USP iniciou o oferecimento de um novo programa de pós-graduação, o Mestrado Profissional em Ensino de Computação (PROFCOMP). Trata-se de um programa em rede nacional sob a coordenação da Sociedade Brasileira de Computação (SBC).
O curso é público, gratuito, presencial e tem 24 meses de duração. No Brasil, 16 instituições oferecem esse mestrado em rede, iniciado em 2026. No Estado de São Paulo, o ICMC é a única instituição a ofertá-lo até o momento.
São cerca de 12 disciplinas, distribuídas em 540 horas, sendo algumas: método científico, ferramentas digitais na educação, computação e sociedade, inteligência artificial na educação, robótica educacional, redes e internet, segurança da informação, funcionamento do computador, programação e pensamento computacional.
Os projetos a serem desenvolvidos pelos alunos do PROFCOMP deverão ser produtos educacionais dos tipos: novas abordagens metodológicas e tecnológicas, aplicativos educacionais, ambientes de mídia para a educação, jogos, simuladores, livros, materiais didáticos e instrucionais, conteúdos para mídias digitais, como podcasts, vídeos, animações, cursos, entre outros.
Sob a coordenação das professoras do ICMC, Lina Maria Garcés Rodríguez e Bruna Carolina Rodrigues da Cunha, as aulas começaram no dia 5 de março. A docente Lina explica que “o PROFCOMP é financiado pela Capes, pelo Ministério da Educação e o seu objetivo é capacitar os professores do Ensino Básico para ensinar computação nas escolas em três vertentes: mundo digital, cultura digital e pensamento computacional, em conformidade com o complemento sobre Ensino de Computação feito à Base Nacional Comum Curricular (BNCC)”.
A professora Bruna explica: “o desenvolvimento do pensamento computacional e o letramento em tecnologias são habilidades essenciais para a resolução de problemas”. Para ela, esses são os principais benefícios trazidos pelo PROFCOMP, “ele é uma iniciativa importantíssima capaz de melhor preparar os professores do Ensino Básico para trabalharem essas habilidades”.
Lina complementa com outro ponto fundamental, a necessidade de preparar crianças e adolescentes para utilizarem as tecnologias de forma segura, compreendendo o que está por trás delas. “O futuro está relacionado a essas tecnologias. Precisamos que as novas gerações sejam letradas em computação”, afirma.
A demanda por uma formação voltada ao ensino de computação na Educação Básica não é nova. Em 2022, oficializou-se o complemento à BNCC sobre o Ensino de Computação e, a partir de então, um grupo de docentes de todo o Brasil propôs a criação do PROFCOMP. Conforme relata Lina, “em março de 2025, a Capes aprovou a criação do curso, e as instituições que o ofertariam passaram a formalizá-lo. Na USP, a oferta no ICMC foi oficializada em novembro de 2025. Em seguida, realizamos a divulgação e o processo seletivo para iniciarmos as aulas agora, em março”.
O ICMC foi convidado a integrar o PROFCOMP devido à existência de uma robusta infraestrutura na área, que inclui desde o grupo de pesquisa CAEd e curso de especialização em computação aplicada à educação até diversos grupos de extensão e parcerias com redes de ensino. “Temos também projetos financiados pelo CNPq e professores que compõem a Comissão Especial de Ensino de Computação, órgão de âmbito nacional vinculado à Sociedade Brasileira de Computação. Portanto, tínhamos todos os requisitos para sermos o polo selecionado em São Paulo”, afirma Lina.

Professores Graziela, Fábio, Gabriela e Simone, no ICMC/USP. Foto: Marcos Vinícius Ribeiro Ferreira.
Conheça um pouco da primeira turma do PROFCOMP
Uma das mestrandas é Simone Camillo, professora de inglês em cursos especializados, em uma escola municipal de Pradópolis (SP) e em outra em Ribeirão Preto (SP). Simone atua do 4º ao 9º ano do Ensino Fundamental. “Amo trabalhar com a língua inglesa, amo estar com os meus alunos e amo a tecnologia”, conta.
Em entrevista, a professora afirma que sempre quis fazer mestrado e que “um sonho antigo era estudar na USP”. Simone explica que sempre foi usuária de tecnologias. “Desde lousa interativa a jogos digitais, tudo o que se relaciona com a informática. Meus alunos até brincam que eu sou a ‘dona’ da informática na escola, porque sempre uso a sala de tecnologia”.
Ao saber da oportunidade do PROFCOMP, Simone pensou, “quero ir além de ser apenas usuária das tecnologias. Quero aprender um pouco mais sobre elas e como utilizá-las, tanto em benefício dos meus alunos como para compartilhar com meus colegas”.
Simone afirma que ser da primeira turma do PROFCOMP foi uma surpresa e uma honra. “Ao mesmo tempo, sinto uma insegurança pelo que virá. A cada semana, aprendemos muitas coisas novas. Estou muito fora da minha área, da minha zona de conforto, mas muito motivada”, conclui.
Outra estudante do mestrado, a professora Graziela Furquim, atua como coordenadora pedagógica em Cássia dos Coqueiros (SP) na Educação Infantil e como professora de matemática no Ensino Médio da rede estadual em Cajuru (SP).
“A partir deste ano de 2026, a implementação do currículo digital previsto na BNCC Computação torna-se obrigatória para os municípios”, explica Graziela. Contudo, apesar da exigência do novo currículo, a professora ressalta: “Infelizmente, por mais que todos saibam da importância de especializações para a carreira docente, ainda há dificuldades por falta de incentivo e de tempo para nos especializarmos realmente”.
Graziela também aponta desafios estruturais para levar a computação às escolas, como a “infraestrutura precária na área de tecnologias”. Contudo, isso não a desanima. A docente acredita que o mestrado a auxiliará tanto em seu papel de coordenadora quanto “na implantação do currículo da BNCC Computação no município”. Quanto ao cargo de professora de matemática, ela afirma: “Estarei melhor capacitada para auxiliar meus alunos no uso correto da cultura, das mídias e das ferramentas digitais oferecidas hoje pelo Governo do Estado por meio do currículo”.
Já para o professor Fábio Azevedo, docente de matemática e robótica computacional em Porto Feliz (SP), “ser aprovado na USP é maravilhoso! É um sonho sendo realizado”. Ele afirma ter grandes expectativas com o curso, uma vez que esse lhe fornecerá uma “oportunidade muito maior de conhecer pessoas, crescer profissionalmente e ter as matérias técnicas que dão suporte para uma aula de programação”.
Fábio afirma que a participação no PROFCOMP certamente irá contribuir muito para o enriquecimento do seu município. “Assim, poderei auxiliar na implementação da BNCC Computação junto aos nossos coordenadores e professores, fazendo com que essa demanda do MEC seja contemplada de maneira eficiente”.
Representando o município de Pirajuí (SP), Gabriela Fazzio é uma das estudantes do PROFCOMP no ICMC. Professora de artes na rede estadual, ela diz estar muito feliz em fazer parte da primeira turma deste novo mestrado. “Acho que é o sonho de todo profissional, pelo menos na área da educação, pois estamos sempre nos especializando. Mas também está sendo um desafio, principalmente na área de raciocínio lógico, matemático e computacional”, conta.
Animada com essa nova fase, a professora Gabriela espera que os estudos no PROFCOMP auxiliem em suas aulas. “Hoje, damos aulas para alunos que já nasceram no mundo tecnológico. Para que nossas aulas não fiquem maçantes, é preciso dominar as tecnologias, permitindo que os estudantes aprendam mais e de forma mais prática”, afirma.
Um grupo que acredita na educação
Percebe-se, nos depoimentos dos mestrandos da primeira turma do PROFCOMP, que muitos superam diversos desafios para estarem semanalmente no ICMC, enquanto gerenciam demandas profissionais, familiares e acadêmicas. Apesar das dificuldades, a motivação desse grupo é contagiante.
A coordenadora Lina fez questão de destacar esse ponto: “Vemos uma falta de apoio das redes municipais e estaduais na liberação de carga horária para a capacitação desses docentes. O apoio é essencial para que eles possam aproveitar esse tipo de iniciativa, ainda mais em um curso rigoroso, que exige grande dedicação tanto em disciplinas quanto em pesquisa. Portanto, faço um apelo por essa colaboração, que é fundamental para a implementação da BNCC Computação. Professores capacitados exercerão melhor sua função, beneficiando seus alunos e a sociedade”.
Certamente, para o ICMC e para a USP, é uma honra receber profissionais que acreditam no poder de transformação da educação e que buscam novos conhecimentos para beneficiar suas comunidades, mesmo diante de desafios e das longas distâncias percorridas semanalmente. Junto à equipe de docentes do ICMC, esses profissionais contribuem para a criação de um ambiente rico em colaboração, tornando o PROFCOMP um espaço não apenas de aprendizagem, mas também de renovação da educação.
Mais informações
Assista ao vídeo com os professores do PROFCOMP: https://icmc.usp.br/e/mc20n
Sobre o PROFCOMP no ICMC: https://www.icmc.usp.br/pos-graduacao/profcomp
Sobre o grupo de pesquisa CAEd: http://caed.icmc.usp.br/
Sobre a especialização em computação aplicada à educação: https://especializacao.icmc.usp.br/
Texto: Marcos Vinícius Ribeiro Ferreira – Bolsista de Jornalismo Científico FAPESP (processo número 2025/24158-0).
Agradecimentos: À Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP, processo número 2025/24158-0, vinculado ao processo número 2023/10100-4) pelo auxílio financeiro concedido no formato de uma bolsa de jornalismo científico. À jornalista Denise Casatti e ao professor Ricardo Marcondes Marcacini.
Atendimento à imprensa
Assessoria de Comunicação do ICMC/USP: (11) 9.9125.9459 (WhatsApp)
E-mail: comunica@icmc.usp.br



