Ações em várias áreas do conhecimento são desenvolvidas com as comunidades e evidenciam o impacto direto da Universidade em políticas públicas, reforçando a importância desse tipo de interação como missão acadêmica

A cerimônia de entrega do Prêmio USP de Impacto Social 2025 aconteceu na Sala do Conselho Universitário em dezembro, com a participação da pró-reitora de Cultura e Extensão Universitária, Marli Quadros Leite, do pró-reitor adjunto, Hussam El Dine Zaher, e da coordenadora do Escritório de Gestão de Indicadores de Desempenho Acadêmico, Fátima Nunes – Foto: Cecília Bastos/USP Imagens
Confira, a seguir, alguns exemplos de projetos contemplados:
Prevenção e economia: o exemplo de Ribeirão Preto

Projeto Saúde 50+ USP já atendeu centenas de pessoas em Ribeirão Preto, promovendo qualidade de vida e redução de doenças, impactando, também, os custos com saúde pública – Foto: Arquivo pessoal
A lógica de que o acolhimento na Universidade desafoga o sistema de saúde é reforçada por Dulce Gonçalves Barbieri, de 67 anos, participante há oito anos. Diabética e hipertensa, ela mantém as comorbidades sob controle graças à rotina de exercícios.
“Quanto mais a gente acolhe o idoso para que ele tenha atividades e convívio, de menos vagas nos asilos e de menos internações nos hospitais vamos precisar. É a manutenção do corpo em função das dificuldades que aparecem com a idade”, avalia Dulce.
Além dos benefícios fisiológicos, o projeto ataca outro fator de risco comum nesta etapa da vida: o isolamento social. Carlos Guimarães Rodrigues, de 73 anos, destaca que a longevidade precisa vir acompanhada de qualidade. “A ginástica nos dá anos de vida saudável, isso é comprovado. Mas o segundo aspecto fundamental é a convivência. Estar ativo e interagindo representa uma longevidade com melhores condições”, pontua.
Efeito multiplicador: o aprendizado que salva vidas

Naomi Kondo Nakagawa – Foto: Larissa Navarro
Desde o seu início, em 2018, a iniciativa já capacitou mais de 18 mil pessoas, com direcionamento especial a alunos e educadores de escolas públicas. De acordo com a coordenadora do projeto, Naomi Kondo Nakagawa, o acesso a esse conhecimento é uma questão de cidadania. “Entendemos que é um direito do cidadão ter acesso a esse tipo de informação e treinamento, e também um dever da universidade pública levar isso até a população, ajudando a salvar vidas”, afirma a docente.
Um dos pilares do sucesso do projeto é o efeito multiplicador. Relatos colhidos pela equipe revelam casos de salvamentos realizados não apenas por participantes diretos, mas por pessoas que foram treinadas por ex-alunos do projeto. Entre os exemplos reais, destacam-se uma diretora de escola que reverteu uma parada cardíaca de uma aluna e uma jovem que, ao identificar um infarto no pai, realizou os primeiros socorros de forma crucial para evitar sequelas permanentes.
“As características sociais do povo brasileiro ajudam muito na efetividade das ações, pois existe uma vontade muito grande de ajudar o próximo e não há barreiras culturais quanto ao toque no corpo de outra pessoa em momentos de socorro”, explica Nakagawa. Ela ressalta que o treinamento utiliza manequins de simulação, mas também aposta em modelos de baixíssimo custo, feitos com materiais comuns, para que a prática possa ser replicada em qualquer ambiente doméstico ou escolar.
Para a coordenadora, o reconhecimento institucional da USP fortalece a defesa de que a educação em saúde seja integrada ao currículo escolar brasileiro, a exemplo do que ocorre em países europeus. “A educação em saúde proporciona uma condição verdadeiramente cidadã, desenvolvendo empatia, cooperação e proatividade”, conclui a professora, que já levou as ações da FM para além de São Paulo, alcançando cidades como Rio de Janeiro, Foz do Iguaçu e Porto de Galinhas.
A relevância dessas ações é ratificada por educadores que vivenciam o projeto no cotidiano das escolas públicas. Para a professora Benedita, o contato com a FM abriu horizontes para os alunos, que posteriormente atuaram como agentes de disseminação em suas comunidades. “Tivemos a oportunidade de aprender as técnicas com a equipe da USP e levamos nossos alunos até a faculdade, o que foi a descoberta de um grande universo para eles. Depois, esses estudantes voltaram para a escola e multiplicaram as ações para colegas e familiares em um dia especial. Foi um ganho maravilhoso e um conhecimento que jamais será esquecido por eles”, relata a educadora.
A visão é compartilhada pela professora Érika, que destaca a importância do treinamento imediato enquanto se aguarda o socorro especializado. “O projeto é extremamente rico porque pode salvar muitas vidas no intervalo em que se espera o resgate. Na minha escola o objetivo é multiplicar essas informações para outros professores e crianças, pois sabemos que esse preparo faz toda a diferença na vida das pessoas”, avalia.
Ciência no palco: a ludicidade como ferramenta de ensino

Projeto utiliza o impacto visual da química para despertar o interesse de jovens e democratizar o acesso ao conhecimento produzido no Instituto de Química – Foto: Instagram Química em Ação
Confira a relação das atividades contempladas na edição de 2025:

Texto: Michel Sitnik
Arte: Equipe Artes USP
Por Jornal da USP