UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO – USP
Centro de Divulgação Científica e Cultural – CDCC
CINECLUBE CDCC
Rua Nove de Julho, 1227 – Centro – Telefone: 3373-9772
PROGRAMAÇÃO AGOSTO/2026
Sessões aos sábados, às 20h, com entrada franca

8 – ADULTÉRIO À BRASILEIRA
Adultério à Brasileira, Brasil, 1969, Comédia, 90 minutos
Diretor: Pedro Carlos Roval
Elenco: Sergio Hingst, Newton Prado, Lucy Rangel
Classificação: A14 anos
Contêm: Nudez, Drogas Lícitas
Áudio original em português
Adultério à Brasileira é um filme antologia dirigido por Pedro Carlos Roval e é dividido em 3 capítulos, todos tratando sobre traições no cotidiano da sociedade brasileira. O primeiro capítulo intitulado “O Telhado” mostra a vida de um operário comum brasileiro que trabalha em uma fábrica, como boa parte dos operários da época, vivia nos subúrbios e sustentava a casa somente com seu salário, sua mulher por vez, dado o cansaço do marido, se envolve com um caminhoneiro para suprir seus desejos, sempre afirmando para a amiga que o marido nunca desconfia. Depois de perceber a indiferença da esposa, o operário descobre a traição e sua investigação culmina na sua ruína.
No segundo capitulo chamado “A assinatura” se passa na realidade de Paulo, um empresário rico e picareta que se vê na meia idade, e Marisa, a esposa de Paulo que vive uma vida de luxos e “ocupada” com amantes e cafés com amigas, o retrato da sociedade aqui se revela em um casal rico no qual o matrimonio se sustenta apenas pelo interesse e pelas aparências, o desafio revela quando Paulo ainda precisa da esposa para uma transação comercial.
A última parte, nomeada como “A receita” conta sobre um funcionário público que age constantemente como mulherengo, e que depois de deixar a esposa em casa, vive outra vida quando está na capital trabalhando, a esposa por sua vez também, vive resistindo aos flertes de um estudante dado que assim como todas as outras esposas retratadas no filme, fica em casa sozinha, o que faz a mesma ceder à tentação do adultério.
O filme é simples, são causos cotidianos sobre casais médios brasileiros da década de 60, com o homem sempre atuando como o provedor e a mulher recorrendo a traição pela falta de atenção do marido. Com isso, o filme ridiculariza a imagem do homem trabalhador e da dona de casa, ideia que era muito fomentada na ditadura, e acaba tecendo uma crítica a família tradicional e mostrando que os bons costumes são apenas uma farsa.
Vitor Augusto Andrade
Sinopse: Três histórias: um marido tenta forjar a assinatura da esposa para fechar negócio; um operário desconfia que sua mulher o trai com caminhoneiro; e um funcionário público se gaba enquanto a esposa sai com estudante.
Trailer: Trailer indisponível
22 – A MULHER DE TODOS
A Mulher de Todos, Brasil, Comédia, 1969, 93 minutos
Direção: Rogério Sganzerla
Elenco: Helena Ignez, Jô Soares, Stênio Garcia, Paulo Villaça
Classificação indicativa: 16 anos
Contém: Violência, Conteúdo Sexual, Drogas
Áudio original em português, sem legendas
“Não quero mais homem bacana. Só dá trabalho. Nesse fim de semana vou me dedicar aos boçais. É mais fácil.” São essas as palavras com que Ângela Carne e Osso anuncia a sua intenção de passar o fim de semana na Ilha dos Prazeres – local descrito por Flávio, um de seus muitos amantes, como uma “depravação”, um lugar onde “só dá louco e imbecil”. Os julgamentos de Flávio pouco importam a Ângela; ela está mais interessada em dar vazão à sua sexualidade voraz, fora das fronteiras estreitas da moralidade brasileira dos anos 60. Embora ela tente manter as suas tarefas extranconjugais longe dos olhos de seu marido – o rico e excêntrico Doktor Plirtz –, o homem delas desconfia. Sem poder acompanhá-la na viagem, coloca um de seus capangas para segui-la nos tentadores cenários da Ilha dos Prazeres. Lá, Ângela constrói uma história de sedução e perdição, um palco em que ela, com sua voz melodiosa e requebros cheios de volúpia, fascina e consome todos os homens ao seu redor.
Ângela Carne e Osso é uma representação, dentro da proposta estética do Cinema Marginal, do antigo arquétipo da femme fatale. Essas personagens, presentes no folclore, na literatura e no cinema, são belas mulheres que, com seus mistérios e charme, encantam e seduzem os homens, trazendo a eles a ruína. Elas acompanham a humanidade a milênios, sob variados nomes e rostos. Na mitologia judaica, aparece com o nome Lilith; está presente também nas representações históricas da figura de Cleópatra, e mesmo em narrativas bíblicas, na forma de Eva e Jezabel, por exemplo. Em diversos momentos, as femmes fatales ganharam contornos sobrenaturais, sendo representadas como bruxas ou – na literatura gótica do século XIX – como vampiras. Ângela dialoga com essa última tradição, apesar de a narrativa estar contida nos limites do realismo: em uma cena de grande lascívia, ela, na cama com um amante, morde o seu pescoço até extrair dali sangue em profusão.
O filme, polêmico desde o lançamento, é um importante marco do cinema brasileiro, fruto de um momento em que, sob o peso da ditadura, a Sétima Arte procurou combinar a crítica política sutil com o experimentalismo e a busca de uma identidade nacional no cinema.
Luan Augusto Machado de Lima
Sinopse: A ninfomaníaca Ângela Carne e Osso viaja para a exótica Ilha dos Prazeres. Lá encontra e seduz os homens. Seu marido, o Doktor Plirtz, contrata um detetive para comprovar a infidelidade. Exercendo total fascinação nos homens, Ângela consome-os e os abandona em seguida.
Trailer: https://www.youtube.com/watch?v=8iEc9hWxBrM
29 – O BANDIDO DA LUZ VERMELHA
O Bandido da Luz Vermelha, Brasil, Policial, 1968, 92 minutos
Direção: Rogério Sganzerla
Elenco: Paulo Villaça, Helena Ignez, Luiz Linhares, Sérgio Hingst
Classificação indicativa: 16 anos
Contém: Violência, Conteúdo sexual, Drogas
Áudio original em português, sem legendas
Um dos filmes mais famosos do cinema marginal ou também conhecido como “boca do lixo” O Bandido da Luz Vermelha é uma obra que muitos consideram confusa e difícil, uma vez que não segue o estilo comum de cinematografia.
A história conta a vida de Jorge, um bandido que tinha como marca registrada se mascarar e usar uma lanterna vermelha para cometer roubos em mansões de luxo, para além disso também violentar as mulheres burguesas, uma forma de humilhar a elite da época. Jorge usa o dinheiro roubado para gastar de forma desenfreada, reflexo de sua mente em constante conflito, com a repetição da pergunta “Quem sou eu? ”. Além de Jorge, existem outras figuras caricatas como o delegado Cabeção que falha constantemente em capturar o bandido, e também há a figura de J.B. da Silva uma sátira aos políticos que vem com propostas absurdas de resolução dos problemas do país, mas que no fundo, não passam de hipócritas tão sujos e criminosos quanto qualquer bandido. O filme é acompanhado também por constantes narrativas sensacionalistas em letreiros luminosos e sendo contadas no rádio, uma clara crítica à mídia brasileira que fica o tempo todo anunciando manchetes hiperbólicas, muitas vezes modificando a real visão sobre algo ou alguém.
Em suma, o filme é uma crítica à sociedade brasileira durante a ditadura que estava alienada aos problemas que consumavam o país, assim o filme cria um cenário exagerado de caos em que se repete “O terceiro mundo vai explodir” e em “Quem tiver sapato não sobra”, aludindo ao estado caótico que o Brasil se encontrava.
Vitor Augusto Andrade
Sinopse: O assaltante Jorge, apelidado pela imprensa sensacionalista de Bandido da Luz Vermelha, assalta residências, realiza fugas ousadas e gasta o dinheiro de forma extravagante. Encurralado, ele recorre a medidas extremas.
Trailer: https://www.youtube.com/watch?v=5d1C2sMbYNo
COLUNA: O FESTIVAL DE CINEMA DE SÃO CARLOS DE 1969
Homenagem ao Prof. José Sidney Leandro
“(…) O filme ‘Adultério à brasileira’ teve o primeiro lugar em direção e produção no Primeiro Festival do Cinema Brasileiro, realizado em São Carlos. Coube ao documentário ‘Lavagem de Cristo’ o primeiro lugar em matéria de curtas metragens. Darlene Glória foi a Rainha do Festival e Helena Ignez foi votada como a melhor atriz (‘A mulher de todos’, filme de Sganzerla, o mesmo diretor de ‘O Bandido da Luz Vermelha’). Maurício do Valle foi considerado o artista mais popular do Festival. O filme ‘Meu nome é Tonho’ foi o mais chocante e considerado o mais brasileiro de todos os filmes (…) Por falar em Festival de Cinema, hoje à noite na Rádio Progresso das 20 às zero horas vocês poderão ouvir entrevistas que foram gravadas com Anselmo Duarte, Anik Mavil e outros (…) O filme de Joaquim Pedro que estava programado para o Festival (…) por motivos desconhecidos pela Comissão Organizadora (…) não compareceu (…)”
COLUNA JOSÉ SIDNEY LEANDRO (Registra no jornal “A Folha” em 01/11/1969)
Por CDCC-USP
